Muitos gigahertz e gigabytes chamam a atenção, mas nem sempre são a
coisa mais importante em um desktop ou notebook. Antes de passar o
cartão, aprenda quais características realmente importam.
Em todos os tipos de produtos há características que são enfatizadas
pelos fabricantes e vendedores, mas que na verdade não tem muita
importância para a maioria das pessoas. Muitas delas são importantes só
em um contexto mas não em outros, e algumas características realmente
importantes às vezes não recebem atenção.
Computadores, sejam desktops ou notebooks, não são diferentes. Antes
de gastar seu rico dinheirinho em um novo modelo com um processador de
“trocentos gigahertz”, leve em conta as informações neste artigo. Aqui
mostramos quais as características que você pode ignorar, quais são
importantes em determinadas situações, e quais você deve procurar em sua
próxima máquina.
O que não importa
Pequenas diferenças no clock (“velocidade”) do processador: um
processador de 2.6 GHz com certeza será mais rápido que um modelo de
1.2 GHz, mas você não deve pagar a mais por diferenças pequenas. Na
prática, você não conseguirá notar a diferença entre um processador Core
i5 de 2.3 GHz e um de 2.5 GHz, portanto não se preocupe com isso.
Velocidade da RAM: Essa informação às vezes aparece
nas fichas técnicas de alguns fabricantes, mas não é comum. Assim como
nos processadores, mais rápido é melhor, mas no dia-a-dia a diferença
entre pentes de memória que operam a 1066 ou 1333 MHz é praticamente
nenhuma.
Velocidade de gravação de discos DVD ou Blu-Ray: mesmo
que você seja um dos poucos que ainda lida frequentemente com mídia
física, terá dificuldade em encontrar uma unidade óptica que tenha uma
vantagem considerável na velocidade de gravação. Se você vai gravar um
disco, terá de esperar um pouco, não importa se o gravador funciona 6x
ou 10x. E todos eles tocam filmes do mesmo jeito.
O que às vezes importa
Placas 3D (GPUs) com toneladas de memória: tudo o
que você quer é assistir a alguns filmes em Blu-ray e vídeos em HD no
YouTube? Então não faz sentido investir em uma GPU, mesmo um modelo
mediano, com 1 ou 2 GB de RAM. A placa de vídeo que veio com seu
computador provavelmente é mais do que suficiente para a tarefa,
especialmente se ele foi fabricado nos últimos dois anos, ou se é um
novo computador com processadores Intel Core de segunda geração (família
Sandy Bridge) ou AMD Fusion.
Jogos são a exceção. Nesses casos a placa de vídeo que veio com seu
computador provavelmente não dará conta do recado, e uma GPU mais
sofisticada com 1 GB de RAM irá ter desempenho melhor que um modelo de
512 MB ou 256 MB. Modelos com 2 GB são praticamente uma categoria à
parte, exclusividade de entusiastas que exigem o máximo em desempenho
nos jogos e não se acanham em gastar quase R$ 1.000 pra isso.
Quantidades enormes de memória de vídeo só são realmente úteis em
gráficos de qualidade muito alta em telas de resolução muito alta. Um
processador de vídeo mais rápido com menos RAM irá sempre ter melhor
desempenho que um processador inferior com muita RAM.
Processadores quad-core: no mundo dos notebooks um
processador dual-core (com dois núcleos) provavelmente terá desempenho
melhor que um quad-core (com quatro núcleos) para a maioria dos
aplicativos do dia-a-dia utilizados pela maioria dos usuários. Um
processador dual-core geralmente opera a uma frequência (clock) mais
alta, e a maioria dos aplicativos de uso geral (como editores de texto e
navegadores) não faz bom uso de um processador com quatro núcleos.
Mas se você faz muita edição de vídeo, computação científica ou
cálculos de engenharia, então um processador quad-core é o ideal. Se
você quiser comprar uma máquina “pronta para o futuro”, tenha em mente
que os aplicativos “multithreaded” (capazes de executar várias tarefas
em paralelo, tirando proveito dos múltiplos núcleos de um processador
moderno) estão se tornando comuns, e seu PC conseguirá fazer mais coisas
ao mesmo tempo se tiver mais poder de processamento.
Brilho da tela de um notebook: uma tela brilhante
demais em um notebook irá esgotar a bateria rapidamente. Uma tela de 300
nits (a medida de brilho de uma tela) é tão brilhante que chega a
incomodar os olhos, e a maioria dos usuários, de qualquer forma, diminui
o brilho de suas telas.
O brilho é realmente importante para as pessoas que usam seus
notebooks ao ar livre. Nesse caso, quanto mais brilhante a tela, melhor.
O que realmente importa
Quantidade de RAM: quanto mais melhor, sempre. Um
netbook com 2 GB de RAM será muito mais “esperto” que um modelo com 1
GB. Se você quer o melhor em desempenho e pretende trabalhar com muitos
programas abertos ao mesmo tempo (ou dezenas de abas simultâneamente no
navegador), não aceite menos que 4 GB, e máquinas com 6 ou 8 GB não são
uma má idéia se você pagar o preço.
Um HD espaçoso e rápido: a “velocidade” de um HD é
medida em rotações por minuto (RPM). Quanto mais rápido o disco onde os
dados estão armazenados gira, mais rápido o computador pode chegar até
eles e maior a velocidade de transferência. Um PC equipado com um HD de
7.200 rpm será notavelmente mais rápido que uma máquina similar com um
disco de 5.400 rpm na hora de carregar o sistema operacional, abrir
aplicativos e copiar arquivos.
Quanto ao espaço em disco, qual o sentido de ter um “super” PC se não
cabe nada dentro dele? Espaço em disco está cada vez mais barato, e
discos de 3 TB estão começando a aparecer nas lojas. Na prática, não
aceite nada menor que 500 GB, e procure modelos com discos de 640 GB ou 1
TB se puder pagar a diferença (que não deve ser muito grande).
Discos de estado sólido (SSDs) ainda são raros por aqui e tem
capacidade limitada, modelos de 128 GB ou 256 GB são os mais comuns, mas
ainda assim caros. Entretanto eles podem causar uma diferença notável
no desempenho da máquina, reduzindo drasticamente o tempo necessário
para o boot e carga dos aplicativos.
Se você puder, invista nesta tecnologia. Mesmo um SSD menor, como um
modelo de 64 GB, pode ser útil: coloque o sistema operacional nele, e
deixe seu HD tradicional para os arquivos grandes como filmes, fotos e
músicas.
Peso: mesmo pequenas diferenças no peso podem fazer
um grande diferença quando você está carregando a máquina o dia todo por
aí. A diferença de peso entre um máquina de 1,5 Kg e uma de 2,2 Kg pode
não parecer tão grande, mas acredite: no final do dia ela será imensa.
Autonomia de bateria: quanto mais melhor, mas tenha
cuidado. Fabricantes costumam relatar números de autonomia de bateria
obtidos sob “condições ideais”, que você raramente irá encontrar no dia a
dia (Wi-Fi desabilitado, brilho da tela em 25%, apenas um aplicativo
rodando, etc). Para ter uma idéia da autonomia real, pegue o número
informado pelo fabricante e reduza-o em 20%.
Ou seja, uma bateria com autonomia de “3 horas” vai durar na verdade
menos de duas horas e meia. Não aceite nenhuma máquina com autonomia
menor do que três horas, especialmente se viaja muito e precisa fazer
uso constante dele. Não há nada pior do que ficar caçando uma tomada no
aeroporto a cada 2 horas só para poder continuar trabalhando. Quer
dizer, há sim: ficar sem bateria durante o vôo e não conseguir terminar
uma apresentação ou relatório.
